O que é a Terapia de Aceitação e Compromisso
Entenda o que é a Terapia de Aceitação e compromisso, como funciona e para que é indicada.
Andrei Morales
9/9/20262 min ler
Se você tem contato com psicologia, psicoterapia ou tem interesse nestes temas, provavelmente já se deparou com o termo Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), caso ainda não, apresento-lhe agora.
A ACT tem ganhado notoriedade no meio da psicologia por ser considerada uma abordagem baseada em evidencias. Em agosto de 2026, a base de dados da Association for Contextual Behavioral Science (ACBS) contabilizava 1.539 ensaios clínicos randomizados relacionados à ACT e aos seus componentes. Ensaios clínicos randomizados são uma das principais estratégias utilizadas para investigar a eficácia de intervenções em saúde. (Fonte: https://contextualscience.org/news/new_acbs_milestone_1500_randomized_controlled_trials_indexed)
De um ponto de visto da historia da psicologia, costuma-se falar em três “ondas” da terapia comportamental e cognitiva. A primeira esteve associada ao desenvolvimento das terapias comportamentais; a segunda, ao surgimento e à consolidação das abordagens cognitivas; e a terceira reúne diferentes abordagens que passaram a enfatizar, entre outros aspectos, o contexto, a relação da pessoa com seus pensamentos e emoções e os processos de mudança. A ACT surgiu nesse último movimento, fortemente influenciada pela ciência comportamental cotual e pela Teoria dos Quadros Relacionais (RFT)
Steven C. Hayes é um dos principais nomes associados ao desenvolvimento da ACT, ao lado de autores como Kelly Wilson e Kirk Strosahl. Hayes também tem uma palestra TEDx bastante interessante sobre a história da ACT, que recomendo para quem quiser conhecer um pouco mais sobre como a abordagem surgiu.

Em resumo, a ACT baseia-se na Analise do Comportamento, a Teoria dos Quadros Relacionais e em processos específicos para ajudar pacientes a desenvolverem flexibilidade psicológica, sendo este o principal central para o modelo.
Estes processos são descritos através do modelo Hexaflex - seis processos principais que podem aumentar ou diminuir a flexibilidade cognitiva. Eles envolvem a promoção do contato com o momento presente, a clarificação de valores de vida e compromisso com eles, o desapego de pensamentos disfuncionais, sejam eles positivos ou negativos.
A principal diferença entre a TCC tradicional e a ACT é a maneira como a terapia nos ensina a lidar com comportamentos, pensamentos e emoções indesejadas - ao invés de tentar controla-los para evitar o sofrimento, aprendemos a lidar com eles de forma mais compassiva e de aceitação, o que não significa render-se a padrões desajustados, mas justamente compreender quais aspectos deles estão ou não sob nosso controle.
Por isso, uma sessão de ACT não é necessariamente uma conversa em que terapeuta e paciente simplesmente analisam pensamentos e procuram substituí-los por pensamentos mais positivos. Muitas vezes, o trabalho acontece por meio de experiências, metáforas, exercícios, perguntas e da própria relação terapêutica.
No fundo, a pergunta deixa de ser apenas “Como faço para me sentir melhor?” e passa a incluir outra: “Como posso construir uma vida que faça sentido, mesmo quando sentimentos difíceis estiverem presentes?”
É justamente essa mudança de perspectiva que está no coração da ACT.
O Hexaflex: seis caminhos para a flexibilidade psicológica
A ACT organiza esses processos em um modelo conhecido como Hexaflex. Os seis processos não funcionam como etapas que precisamos cumprir uma depois da outra. Eles estão interligados e podem ser trabalhados de diferentes maneiras, dependendo da pessoa e do contexto.




